quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Lembra daquela capa?

Lembra-te do momento em que as paginas do livro se fecham? Onde as emoções vividas não podem mais ser sentidas? Lembra quando o lenço pairava sobre a face emocionada ou quando do sorriso surgia a gargalhada? Aquele momento em que se descobre o motivo pelo qual o escritor é tão aclamado, como um rei em seu reinado, onde o personagem toma forma, uma voz, momento em que o percorrer dos olhos sobre as palavras impressas naquelas belas folhas revelaram um mundo novo, cheio de possibilidades? Mundo onde a realidade não tem peso, onde o feio é belo e o efêmero eterno. Mundo maravilhoso. Pena ser breve como o fogo, que arde, esquenta, aviva e logo se apaga. Lembra daquele momento em que as paginas do livro se fecham? Pois é, este é o tempo que passou e que até pode se repetir infinitas vezes. Pena que da mesma maneira que se inicia termina. Logo, o tempo passa e nem nos lembramos da capa. Lembra-te da ultima capa? Pergunto isto, porque me lembro ter fechado muitas capas, ter experimentado muitos mundos maravilhosos. Em todos gozei a alegria das palavras, mas todos acabaram quando fechei aquelas capas. Tanta alegria, tanto amor, carinho e afinidade, mas tudo passou. Tornei-me sábio com tudo o que passei nestes mundos, mas em meio a tanta sabedoria como bobo caminhei em meio ao meu próprio mundo. Certo dia, não por palavras impressas em paginas brancas, mas pelo simples ouvir. Ouvi um clamor, porem, simples e desqualificado, se comparado a todos os enunciados vivenciados. E este clamor dizia: “Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes”. Assustado, fiquei, pela falta de beleza, da estrutura que me guiava, pela falta das paginas e principalmente daquelas capas, a que saudade senti das capas, meu refugio. Mas algo mudou em mim. Antes as palavras jorravam para o meu interior, tocavam o meu coração, emocionavam e logo sumiam como luz da vela ao ser apagada. Agora, do meu coração elas jorravam. Até tentei, devido a minha pequenez, conte-las. Porem, não podia resisti-las, eram mais fortes, queimavam dentro de mim. Mais do que palavras eram como chamas que não se extinguem com o fechar de uma capa. Lembra-te do momento em que as paginas do livro se fecham? Não permita que levem tudo neste instante. Clama ao Senhor, passe a viver isto. Não seja dependente destas coisas. Mas, dependa do Senhor. Ouça as grandes coisas e ocultas que só serão reveladas quando de seu lábio brotar o Clamor. Por isto, clame ao Senhor...

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